A história do Projeto Fantástico Mundo Autista – FAMA começa antes de ser um projeto. Começa com uma mãe.
A gestação de Patrícia Teodolina transcorreu sem intercorrências. O parto foi tranquilo. Um filho desejado, exames em dia — teste do pezinho, da orelhinha, do olhinho — tudo dentro da normalidade. Os primeiros meses de desenvolvimento de Rodrigo também seguiram como esperado. Até que, por volta dos oito meses de idade, algo começou a mudar.
Vieram os choros intermináveis, o sono irregular, a seletividade alimentar, o isolamento, as estereotipias. A pergunta que tomava conta daquela mãe era simples e angustiante: o que estava acontecendo com aquela criança?
Seguiram-se inúmeras consultas médicas, idas ao pediatra, ao otorrinolaringologista, ao gastroenterologista. Rodrigo foi inserido no esporte, na escola, ainda muito pequeno. Nada parecia explicar completamente o que se passava. Até que, após buscas por psicólogos e neurologistas, veio o diagnóstico: Autismo.
Com ele, vieram também o luto emocional, o medo e uma dor difícil de nomear. Perguntas inevitáveis surgiram: Por que comigo? Por que com meu filho? E agora?
O “agora” exigia força. Exigia superar o luto e seguir em frente. Apostar nas terapias, no estudo, no amor. Mas o caminho não foi simples. Aos três anos, Rodrigo apresentou convulsões, hipotonia orofacial e sialorreia intensa. Aos seis, um surto psicótico. As dificuldades de aprendizagem persistiam, assim como a angústia materna.
Foi nesse contexto que uma nova pergunta começou a ecoar, ainda mais profunda: e o futuro?
Onde estavam os adolescentes e adultos com autismo? Será que não existiam? Não. Eles existem, crescem, vivem — mas muitas vezes permanecem socialmente invisibilizados.
A constatação foi tão dolorosa quanto transformadora.
Diante desse cenário, Patrícia tomou uma decisão que mudaria sua história e a de muitas outras famílias: criar um projeto voltado para adolescentes e adultos com Transtorno do Espectro Autista, que valorizasse suas potencialidades, promovesse autonomia e abrisse caminhos reais para a vida adulta.
Seria ousado? Talvez. Mas, como dizia Steve Jobs:
“As pessoas que são loucas o suficiente para achar que podem mudar o mundo são as que de fato mudam.”
Sem todas as respostas, mas com um desejo genuíno de transformar, nasceu em 2014 o Projeto FAMA. Um espaço construído para garantir que Rodrigo e tantos outros jovens pudessem ocupar seu lugar no mundo com dignidade, trabalho, pertencimento e oportunidade.
Hoje, o FAMA é mais do que um sonho que deu certo. É uma organização que atua diariamente na inclusão profissional, no desenvolvimento humano e na construção de futuros possíveis para pessoas com autismo.









