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Depois de meses de formação, descobertas, viagens, encontros e muita criação, o projeto A Bahia pelo Olhar do Autismo (ABOA) chega a uma de suas etapas mais especiais: a realização de sua exposição no Museu de Arte da Bahia (MAB), em Salvador. A mostra reúne parte das produções desenvolvidas ao longo de uma jornada que levou jovens autistas a conhecer diferentes territórios do estado e a transformar suas experiências em imagens, criações e novas possibilidades de expressão.

Quando apresentamos o “ABOA” pela primeira vez, a proposta era utilizar a fotografia como ponto de partida para uma experiência de formação e inclusão. Ao longo do projeto, essa ideia ganhou novas dimensões. Os jovens foram convidados a sair de seus espaços cotidianos, percorrer diferentes regiões da Bahia e conhecer paisagens, manifestações culturais, religiosidade, gastronomia, arquitetura, natureza, história e, principalmente, pessoas. Foram momentos de pesquisa, observação e experimentação que ampliaram repertórios e proporcionaram novas experiências — e também novas formas de olhar para lugares que já conhecíamos.

Ao todo, essa trajetória passou por diferentes territórios, entre Salvador e Região Metropolitana, Recôncavo, Norte e Sul da Bahia, revelando a diversidade de um estado que pode ser percebido de inúmeras maneiras. Em cada parada, um novo estímulo; em cada paisagem, uma possibilidade de registro; em cada encontro, uma oportunidade de aprender. A fotografia tornou-se, assim, uma ferramenta para olhar, registrar e interpretar o mundo a partir das perspectivas singulares de cada participante.

Mas o processo não terminou atrás das lentes. Uma das grandes riquezas do projeto foi justamente perceber como uma linguagem poderia alimentar a outra. As fotografias e referências construídas durante as vivências passaram a ser trabalhadas nas oficinas de Design Gráfico, Mídias Digitais, Serigrafia e Sublimação, ampliando as possibilidades de criação e produção. As mães e cuidadoras também fizeram parte desse percurso por meio da oficina de Corte e Costura, fortalecendo a dimensão coletiva da iniciativa e aproximando a formação das famílias.

Essa integração entre as oficinas transformou o projeto em uma verdadeira cadeia criativa: uma experiência vivida em determinado território podia se transformar em fotografia; a fotografia podia ganhar uma nova interpretação no design; essa criação poderia virar uma estampa, uma peça ou um conteúdo digital. Dessa forma, o projeto foi conectando arte, formação, criatividade, autonomia e possibilidades de inclusão produtiva.

Ao longo dos meses, A Bahia Pelo Olhar do Autismo também proporcionou momentos de troca e aprendizado que ultrapassaram as próprias oficinas. Mais do que desenvolver habilidades técnicas, a experiência buscou fortalecer a autonomia, a autoestima, a expressão e o protagonismo dos jovens, mostrando que investir em arte e cultura também é investir em possibilidades para o futuro.

E é justamente essa caminhada que chega agora ao MAB.

A exposição, que recebeu o mote “Ver a Bahia, Viver a Bahia, Sentir a Bahia”  é a culminância de todo esse processo. Nas obras apresentadas, estão os registros de lugares visitados, mas também as experiências vividas, os repertórios construídos, as descobertas e os diferentes modos de perceber a Bahia. São fotografias e produções que nos convidam a olhar para o nosso estado por outras perspectivas — e, ao mesmo tempo, a olhar para o autismo para além dos estereótipos, reconhecendo talentos, potencialidades e possibilidades.

Para o FAMA, chegar a um equipamento cultural como o Museu de Arte da Bahia tem um significado especial. É ocupar um espaço de referência da arte e da cultura baiana com produções realizadas por jovens autistas e afirmar, por meio da prática, que eles também podem ser protagonistas de processos artísticos, criativos e profissionais.

Por isso, a exposição representa muito mais do que o encerramento de uma etapa. Ela celebra um projeto, um sonho e uma possibilidade: a possibilidade de criar caminhos em que jovens autistas possam experimentar, produzir, ocupar espaços e mostrar ao mundo aquilo que são capazes de fazer.

E, talvez, essa seja a maior transformação proporcionada pelo projeto. Ver a Bahia foi aprender a olhar. Viver a Bahia foi experimentar novos caminhos. Sentir a Bahia foi transformar essas vivências em memória, expressão e criação.

Agora, convidamos todos a conhecer esses olhares de perto.

A exposição A Bahia pelo Olhar do Autismo – Uma Bahia, Muitos Olhares segue aberta ao público no Museu de Arte da Bahia (MAB), em Salvador, até 15 de novembro de 2026.

O Projeto A Bahia Pelo Olhar do Autismo é uma iniciativa do FAMA, financiada pela Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (SETRE) por meio do Fundo de Promoção do Trabalho Decente – FUNTRAD, contemplado no Edital de Chamamento Público 005/2024.

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